Pessoal, estamos de casa nova:

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1 de fevereiro de 2004

No final das contas a virada de ano foi bacana, estávamos justamente sobre a ponte da Amizade, que divisa Brasil e Argentina. Foi bem bonito ver Uruguaiana explodindo em fogos e o reflexo no Rio Uruguay.
Quando paramos para dormir, já em Alegrete, estouramos a Champagne que veio no auto, num "isopor" pra lá de bom, já que ligado ao acendedor de cigarros, mantinha refrigeradas nossas "farofas". Viajando com crianças, um utensílio extremamente cômodo, descoberto pouco depois que voltamos do Brasil da última vez, quando algumas coisas estragaram.

A estada na praia foi bacana, estivemos junto dos "nossos", as crianças brincaram muito, eu li bastante e brinquei de "Amélia", já que esteve estragada a máquina de lavar roupa... O tempo não colaborou, houve muito nordestão e muitos dias nublados mas ainda assim pudemos aproveitar, incuindo passeios as lojinhas de Tramandaí e às dunas.

A volta: desta vez a viagem foi bem menos cansativa e batemos o record: viemos em 33 horas, incluindo uma noite de hotel na Argentina. Saímos de Porto Alegre as 11AM de sábado dia 24 e chegamos em Santiago por volta das 18PM de domingo dia 25. Nada como conhecer as rutas, e não nos perdermos dentro de cada cidadezinha maior que passávamos.

Aqui em casa ainda curtindo calor, tenho feito atividades dirigidas com as crianças que ainda regozijam-se por haverem estado longe dos seus brinquedos. Pinturas em aquarela, têmpera, massinha de modelar, argila, recortes, brinquedos com água e mangueira e piscina do Clube é o que promete nosso fevereiro. Nos finais de semana pretendemos fazer passeios pelo Chile. No próximo já temos organizado um passeio ao oceano Pacífico: Maitencillo. Gostaria ainda de conhecer Isla Negra e Valparaíso.


29 de dezembro de 2003

O Natal foi bem bonito. Éramos 15 pessoas na casa da Maggie e teve até evento cultural, incluindo leitura de um trecho da Bíblia e cantos de Natal em espanhol, português e alemão. Voltamos para casa as 2 da manhã. No outro dia fizemos um churrasquinho aqui em casa.

Depois de mil indecisões, decidimos ir ao Brasil para as férias. Saímos amanhã, dia 30 depois do meio-dia e certamente vamos passar a virada do ano novo em algum hotelzinho na Argentina... así es la vida. O Manuel vai só nos deixar, já que queimou suas férias no Mundial de Punhobol. Volta dia 4/jan e nos vai buscar dia 23/jan. Dia 25 queremos estar de volta ao Chile.


23 de dezembro de 2003

Biscoitinhos de Natal

Que tal? A Liginha sugeriu: Mãe! Vamos tirar uma foto???
Nossa idéia é colocarmos em saquinhos de celofane e as crianças entregarem para quem estiver na ceia de Natal na casa da Maggie.

 

22 de dezembro de 2003
(há um tempo atras dezembro era tão longe.....)

Hoje estamos fazendo biscoitinhos de Natal. Pesquisei e descobri que aqui não existe polvilho nem pra remédio. Vocês sabiam que polvilho é feito de farinha de mandioca? Eu não sabia. Tive que ir para o www.google.cl e procurar por galletas de navidad. Encontrei uma receita que claro, não leva polvilho e estou experimentando. As crianças estão vibrando e as vezes mais atrapalham que ajudam, mas estas vivências são marcantes, e deliciosas - em mais de um sentido...

A árvore de damascos dos fundos da casa está muito carregada, 3 galhos já quebraram com o peso e temos passado o dia comendo damascos. Já fiz schimier e comprei vidros para fazer mais e guardar. Quem diria que aquela árvore raquítica e com cara de morta ia se tornar uma "mata" verde cheia de frutos!

O tempo está cada vez mais seco, hoje a umidade relativa do ar está em 19% e faz calor de 32C. Hidratante aqui é fundamental, hoje me sinto retorcida - como uma passa, tamanha secura.

A Lola foi operada de alguma coisa no pulmão(passa bem, já está em casa) e também estamos fazendo um pudim de leite condensado (sabiam que a Loli é uma doçólatra???) e o Manuel vai levar lá no final da tarde, visitinha de médico, parece que ela não quer, ou precisa - de sossego. As crianças fizeram um cartão para mandarmos junto.

Recebi um montão de elogios pelo cartão de Natal, fiquei feliz!!!
Atendendo a pedidos, explico: O Henrique foi um angelito em sua apresentação de final de ano e eu, como boa mãe coruja, tirei um montão de fotos. Chegando em casa, uma certa irmã serelepe também quis experimentar a fantasia e tirei mais e mais fotos. O resto da idéia foi surgindo enquanto eu fazia. Busquei o texto, fui procurar fotos das crianças e encontrei as de anjinhos.... achei-as perfeitas!

 


19 de dezembro de 2003

Os Stoffels se foram... como sempre, o certo "vazio" da casa é estranho... a gente acostuma fácil a estar com os amigos, conversar em portugues... passear juntos... así es la vida.

Tem feito bastante calor estes dias. Pela manhã sempre faz os 10C mas ao meio-dia, duas horas da tarde, vai a 34, 38C. Um calor seco, a gente não transpira (na verdade transpira mas na mesma hora evapora!), o nariz coça, arde. E dá uma sede tremenda. A umidade relativa do ar por aqui anda nos 25%. (Em Porto Alegre lembro de 70, 90%...)

Hoje armei a piscininha para as crianças e elas fizeram a festa, eu só escutava algazarra. Ao final da tarde estava friozinho e eles pediram para sair. Quando enrolei o Henrique na toalha e o peguei no colo ele disse que eu havia pescado um peixe! (o cara tem 3 anos e vem com cada uma!)

O Natal já é na semana que vem.... uma coisa que me surpreendeu por aqui foi comprovar que o brasileiro deixa tudo mesmo para a última hora. Embora exista correria de natal, muita gente já comprou, era início de dezembro e eu já via muita gente com carrinhos cheios de presentes nos megamercados. Hoje fui fazer minhas comprinhas e qual o espanto ao ver que a maioria dos brinquedos estão esgotados e as prateleiras vazias. Só os refugos.... Hoje nem é 24!!! hehe...
Por sorte consegui tudo que queria, mas bati perna feito uma louca.


16 de dezembro de 2003

Seguimos com os Stofells, passeando. No sábado fomos a Cajón del Maipo, com direito a pic-nic em baixo de árvores e molhar os pés em água que descia da cordilheira e passava pela estrada. No caminho havia muito verde e flores, tão lindo e diferente de quando fomos em 1999 com a Lígia bebê! As paisagens seguem deslumbrantes.
Na região encontram-se muitos fósseis marinhos, sinal que alguns "zilhões" de anos lá, de alguma maneira, foi mar. Desta vez não resisti e comprei alguns fósseis de animais extintos (invertebrados marinhos), com meu pai sendo geólogo, achei que justificava. São lindos, a beleza da natureza em arte.
No domingo fomos ao obrigatório passeio de teleférico com vista de Santiago e depois fomos almoçar no Mercado Central, cardápio de frutos do mar, claro.
A cada dois ou tres dias, churrasquinho, regado a vinho ou cerveja, já que o Stofells, curte um fermentado.

Coloquei as fotos da apresentação de final de ano da Lígia e de Cajón del Maipo no álbum de fotos do site.


9 de dezembro de 2003


Esta semana a família Stofells vêm nos visitar. Chegam amanhã de tarde, ficam até dia 19/12. O Henrique Stofells (é, é sim da família das famosas e deliciosas bolachinhas) foi colega do Manuel na época do escotismo da Sogipa e quando o Manuel estava num projeto da CTBC (Companhia de telecominicações do Brasil Central) em Minas Gerais, se reencontraram, O Henrique pela Oracle e o Manuel trabalhava junto com Alê, da Kitty. Quando o Henrique foi para a SAP, multinacional alemã que estava abrindo filial no Brasil, intimou o Manuel para ir também e nunca mais perdemos o contato. Nos descobrimos amigos, Henrique e Manuel e eu e Bia, a Beatriz. Depois ainda veio a Lígia, o Henrique e a Julinha e as crianças também se curtem.

Organizando o escritório

Ontem compramos uma estante e organizamos os livros numa biblioteca. Faltou estante, tivemos que comprar outra para colocar ao lado; não sei de onde sairam tantos livros, isso que em Porto Alegre ainda existem mais; na possibilidade de ficarmos apenas um ano por aqui, muitos ficaram por lá.
A Lígia vibrou, buscou duas cadeirinhas de sua casinha de bonecas, colocou no escritório, pegou uma mesinha, exigiu uma prateleira para os livros de criança e sentou a "ler". Me fez desligar Legião que tocava no som do escritório e disse: "mãe, biblioteca não pode ter barulho". Legião = barulho!?...
Olhando aqueles livros nas prateleiras.... achei tudo tão aconchegante, de repente tive a impressão que quando o sujeito consegue organizar seus livros de maneira prática, a mão.... é como se estivesse criando raízes... (suspiros....) Isso assusta um pouco.

Um mico

Depois de 6 meses no Chile, pensei que não ia mais passar por essa: Como estávamos atrasados hoje de manhã, eu ajeitei a Lígia, preparei o lanche, mochila, etc e o Manuel foi tomar banho e vestir-se rápido para levá-la ao colégio.

Uns 30 minutos, e os dois voltam: A Lígia estava de férias e em algum momento fui avisada mais não entendi!!!! Como???? deve ter sido quando mais de uma pessoa falou comigo. Alguns falam muito, muuuuuuuuuito, rápido e confesso: tem vezes que desligo o processador...
Tá certo.... tô com vergonha, mas ao menos quem pagou o mico com as professoras que estavam de reunião foi o Manuel! hehe...

O Henrique hoje veio reclamar que sua irmã havia dito que ele era pequenininho.
Eu o peguei no colo e pensei como poderia consolá-lo..... disse: Ah, tu estás crescendo... um dia tu vai ficar graaaande como o papai!
Ao que me contestou:
- Não, mãe, eu vou ficar grande, que nem o Tigrão*!!! ...

(*amigo do ursinho Pooh)

Coloquei as fotos da Viagem ao Brasil no Ábum, tem cada fotos dos Andes! visite!


1 de dezembro de 2003

O clima de Natal

As crianças estão crescendo e entraram na fase super divertida de curtir muito a espera do viejito pascuero, como é estranhamente chamado o Papai Noel aqui no Chile. Decidimos então que valia a pena comprar uma árvore de natal maior, aquela pequena, valeu bastante quando éramos apenas dois.

Árvore maior? explico. É aquela mania que a gente tem de repetir como nossos pais faziam... quase automático. Queira uma árvore grande, que impressionasse eles, uma árvore de respeito. Quero que eles lembrem da gente se reunindo para decorá-la, escutando músicas de natal exatamente como meus pais faziam e tão boas lembranças me trazem. Quero ver se consigo curtir um natal menos comercial e mais... de união, de família, de ajudar o próximo, ... bem, boas intensões tenho.

Ontem foi o primeiro dos 4 domingos que antecedem o natal, Dia de Advento. Cantamos. O Henrique fez a coroa, no seu jardim, com argila, base de madeira, as 4 velas vermelhas. Ficou bonita e ele muito orgulhoso.
A Lígia dançou todo tempo e cantamos 2 vezes as músicas que lembrávamos já que meu repertório não inclui as músicas em alemão que estávamos acostumados a escutar nos adventos na casa da Oma. O Henrique cantou, mas cada final de música queria apagar a vela, nem tudo é perfeito.

Apresentação de Final de Ano da Lígia

Novamente me confesso impressionada com o colégio da Lígia e não fossem estas coisas tão legais aqui no Chile talvez tivesse mais ganas de voltar para o Brasil logo.
Hoje foi a apresentação de final de ano, e fiquei surpresa:

A organização: as professoras eram responsáveis pelos alunos e a apresentação - e só. Havia muito mais gente envolvida na coisa do que apenas elas. Uns pelo palco, outros pelo café da manhã que seria servido depois, outras pelos xilofones que seriam usados, um cara responsável apenas pelo computador e o projetor da apresentação em p.point que seria exibida, ...

O palco não era um palco qualquer, nada improvisado. Desde refletores até cenário bem pintado. Tá certo, provavelmente irão usar para todos os outros 4 pre-kinders, vale fazer bem feito.

O carinho: Houve atenção especial para cada criança na hora da apresentação.
As crianças falaram no microfone e nenhuma ficou envergonhada! Algumas em conjunto outras sozinhas. Como eles estimulam isso! Não é a toa que o Saint George seja o segundo colégio do Chile a colocar empresários no mercado.
Em determinado momento cada criança tinha um xilofone na frente e todos juntos tocaram uma música com a professora de música os acompanhando ao piano.
A apresentação incluiu textos em inglês, apresentações em grupo e no final, a professora anunciava cada criança pelo nome completo e ela descia do palco sendo aplaudida. Nunca havia visto nada parecido.
Elas então sentaram-se nas fileiras que estavam reservadas a elas e assistiram a uma apresentação de power point onde aparecia a foto de cada uma - foto tirada no colégio, por alguém de lá - e as professoras falavam frases do tipo:
"Josefa: Se destaca por seu espírito de responsabilidade e prazer em compartilhar com seus amigos"
"Francisca: Se destaca por seu senso de ajuda aos outros e suas habilidades esportivas" - enquanto aparecia a foto de cada criança.

Quando saímos do teatro, fomos para o bosque (o colégio é grande, tem muitos recantos) e lá havia um café da manhã servido, incluindo toalhas de pano em mesas de madeira de baixo das árvores, torta, sanduíches, sucos, café... Ficamos mais ou menos meia hora entre as mesas, conversando com os outros pais, as professoras... e as crianças brincando por perto. O sol, as árvores.... a cena parecia de filme.
Não bastasse tudo isso, ainda ganhamos um quadro e um arranjo de natal feito pelas crianças.
Fiquei de queixo caído.

Eles ainda seguem com aulas até 12 de dezembro.


26 de novembro de 2003

Saga de uma viagem

De volta ao lar. A viagem de ida foi legal, saímos na quarta-feira dia 12 as 19h e seguimos até Mendoza, Argentina. Fomos dormir a 1h da manhã. No segundo dia colocamos o pé na estrada lá pelas 8h da manhã e fomos tocando. Algumas paradas para ir ao banheiro, esticar as pernas, comprar alguma coisinha.... e fomos tocando... As crianças brincavam, escutavam música, assistiam algum filmezinho, desenhavam, brigavam e brincavam. As horas foram passando, os kilômetros iam ficando para tras e a gente começou a divisar a idéia de tentar chegar no Brasil neste dia - e chegamos.

Depois da Fronteira em Uruguaiana, caímos na estrada para Alegrete.... e decidimos ir até Alegrete. que tortura.... coisa mais impressionante foi constatar como o sono pode tomar conta do freguês de uma maneira tão... quase incontrolável. A gente falava besteira, se remexia no carro e torcia para ver Alegrete logo. Eram duas da manhã quando estávamos encostando a cabeça no travesseiro. Não vi nem ouvi mais nada. Neste dia fizemos uns 1.400km. No terceiro dia, sexta-feira 14/11, foi fichinha fazer Alegrete-POA.

Quando estávamos chegando um navio passava embaixo da ponte. Era hora de trocar o CD que já havia completado uma volta e me deparo com o CD comemorativo do Zaffari "Porto Alegre é demais". Não deu outra, ria à toa, olhando aquele Guaibão ao sol, e cantamos a todos os pulmões Porto Alegre é que tem.... um jeito legal.... as manhãs de domingo..... etc e tal. Havíamos chegado.

A semana foi corrida entre Sogipa, médico das crianças, vacinas em dia, comprinhas aqui e ali, ir na mãe, participar das atividades do Mundial, assistir os jogos, vibrar e torcer. O Chile saiu em oitavo lugar e o Brasil Bi campeão Mundial.

Impressionante foi:

O Henrique querer tirar as fraldas de uma hora para outra, justo quando estávamos neste pique de correria, entre a mãe e o apartamento vazio de POA, quase todo dia na Sogipa, em ritmo de viagem e sem encontrar cuecas para ele.

A Lígia numa das paradas da Argentina avista numa mesa próxima umas dez moscas juntas, provavelmente regozijando-se na mesa mal limpa e bem séria comenta: Mãe! Eu acho que estou vendo uma reunião de moscas!

O Henrique quando chegamos na casa da mãe, com espanto e olhando para os lados comenta: Ahhhhh, que linda la casa de la abuela! (detalhe: não lembro da havermos falado com eles algo em espanhol na viagem)

No Brasil, perceber que meu automático, o sem pensar, sai em espanhol... era perdón no supermercado, permiso no Mundial e muitos gracias quando me davam o troco ou faziam um favor.... eu heim...

O desespero que bateu quando um dia antes de regressar, eu voltava da casa da mãe para a zona norte, sem as crianças, que iam dormir por lá. Chorei de sul a norte, curtindo o último CD do Nei Lisboa num volume mais alto que costumo escutar. Depois passou, me senti renovada.

O carinho com que a família de Alegrete nos recebeu, incluindo a visita surpresa da família Moutinho na chácara com presentinhos, negrinhos(sobra de um aniversário, tudo bem, mas não deixa de ter seu valor) e até bolo! Muito obrigada, gente!

O tempo perdido nas aduanas brasileira e argentina quando saíamos do Brasil, entre filas, mal entendidos e funcionários na maior calma... foram umas 2 horas... ao menos as crianças correram bastante por lá.

Num trecho de estrada com costeletas, na Argentina, o Henrique grita: Líiiiiggggiiiiaaaaa, deeesssliigaaa o terrrreeemooooto!

A maneira rigorosa como os chilenos revistam os carros na entrada do Chile: Abrem todas as malas, mexem em tudo! Procuram principalmente frutas e sementes, não se pode entrar no Chile com nenhum produto de origem animal ou vegetal. O rigor é justificável: O Chile tem frutas lindas, não existem pragas, bichinhos de fruta, estas coisas.

O efeito elástico que a estrada pareceu sofrer na volta. Em especial como os 22 km que faltavam para San Francisco, Argentina podiam se transformar em 44....88... 99 ... o segundo dia de viagem foi impressionantemente interminável e garanto: alguém arrancou as plaquinhas das kilometragens da beira da estrada....

Num hotelzinho na Argentina...

No hotel em San Francisco, de fachada bonita e anuncio bacaninha na beira da estrada não tinha quarto casal com mais duas camas.
As roupas de cama eram velhas, as toalhas de banho lembravam peneiras, mas parecia tudo limpo.
Acomodamos as crianças uma em cada ponta da cama de solteiro mas só havia um travesseiro.... lembrei que no carro tínhamos um e olhei para a cama de casal: era um único travesseiro, da largura da cama..... me deu uma crise de riso. Imagina disputar travesseiro com o Manuel! Eu gosto de dobrar o comum, o Manuel dorme com dois.... eu olhava para aquela coisa e ria. Era mais ou menos uma da manhã mas estávamos pregados. A Lígia dormiu sem travesseiro, dobrei o travesseirão para o Manuel, e eu dormi com o da Lígia, que estava no carro para a viagem.
Crianças na cama, luzes apagadas, chegou a hora de dormir.... ufa..... nossa, mas que caloooooor. Ligamos o ventilador de teto e o negócio era barulhento..... torci o nariz mas pensei: com o sono, nem te ligo. Uns 10 minutos, o Manuel se mexe e constato:
- Môri, tu também tá acordado?
- sim....
- percebeu que este ventilador faz tres barulhos distintos????
- hã???
- olha, ele faz: hic hic hic, ao fundo um barulho de motor - constante e grave - e tem ainda este rec rec rec que parece que tem alguma coisa solta lá dentro. Risada geral e o comentário da pessoa que escolhi para compartilhar a vida, lembrando que ainda corríamos o risco daquilo resolver vir abaixo: Ainda bem está mais em cima de ti!
Acabamos dormindo, claro. E no fim, a orquestra do ventilador não encomodou mais.
De manhã descobrimos que não havia café da manhã - ainda mais essa? não é tão barato para as acomodações que oferecem.... e no banho quando vou pegar o shampoo no chão, resolvo olhar melhor a aranha que está perto da porta.... e do Shampoo... e descubro que era um escorpião! Môooooriiiiiiiii!!!!!! Mata este bicho e vamos embooooora!!!!

Sinceramente? Preferia que janeiro estivesse um pouquinho mais longe.....


11 de novembro de 2003

Carteira de motorista, que sufoco.

Ufa, temos carteira de motorista chilena. Fizemos teste de vista, de ouvidos, psicotécnico, coordenação reflexo, etc. O de reflexo era assim: a gente apertava num acelerador, quando uma luzinha vermelha piscasse a gente tinha que apertar no freio. Eram feitas 10 medições e o nosso tempo de reação tinha que ser inferior a 0,45 ... segundos? sei lá, o valor era este, a unidade fiquei na dúvida.

Para a parte teórica, tivemos que estudar no livrinho que comentei da outra vez, 280 perguntas. Aleatoriamente são escolhidas 35, pelo computador.

Sabe que não é muito fácil? Algumas questões:
O que você deve fazer se rebenta um dos pneus dianteiros?
Como você deve dirigir para evitar que seu auto patine quando na pista há uma capa de gelo?
Seu carro derrapa e você perde o controle, o que você deve fazer?
Como você deve dirigir na neve para que seu carro não derrape?
Você chega no lugar de um acidente onde um motociclista estava envolvido e ele está consciente, mas em estado de choque. O que você tem que fazer?
O que você deve fazer se o reboque que está levando começa a ziguezaguear?
Ao ultrapassar uma manada de ovelhas, como você deve proceder?


Claro que eram de marcar, mas algumas eram "marque as verdadeiras" (se tu esquece de marcar alguma, errou a questão igual) Aprendi um monte de coisas, super interessante, prático, avalia bastante.
Eu fiz duas vezes o teste teórico.... na semana passada, não sabia o que era angosto, doble calzada, e mais um montão de termos. Fora que eu lia umas trinta vezes a questão, para conseguir raciocinar. O cara que aplicou o teste percebeu o problema do idioma e disse para eu voltar hoje, ao invés de voltar depois de 30 dias. A gente tem meia-hora para fazer o teste e naquele dia errei 8, podia errar até 7. Hoje, refiz o teste e acertei 34 das 35. Ufa. Imagine ter carteira de motorista no Brasil ha 15 anos e não conseguir tirar a chilena.... éca.

Bom, pessoal, preciso fazer as malas, agora é contagem regressiva para a viagem. amanhã, pé na estrada. Destino: Brasil. Bye!


8 de novembro de 2003

Que vergüenza! Mais de mês sem atualizaçao!!!

Sambando...

Vejamos as novidades.... estou fazendo ginástica, na verdade, gimnasia entretenida y baile. É bastante divertido; fazemos a aula de ginástica dançando. É salsa, merengue, hip-hop, árabe... até samba. (claro que dei show, mesmo com o pouco que sei dançar) Nestas horas me dou conta que isso no brasileiro... é nato... este soltar as cadeiras que deve vir do samba e é tão difícil para as chilenas!

Estamos com horário de verão, igual que no Brasil, ou seja, seguimos com uma hora menos de fuso.
Vamos para o Brasil, contei??? Hehe... as professoras da Lígia dizem que ando ilimunada desde então. Decidimos ir de carro, é para o
Mundial de Punhobol, o Manuel faz parte da seleção chilena.. A idéia é sair daqui dia 12 e voltar dia 25 de novembro. Haja criatividade para entreter as crianças nos 2.470 km que separam Santiago do Chile de Porto Alegre... há um mês estou guardando "cartas na manga".

As tabelas de Calorias

Nota: tenho sentido falta nos rótulos dos produtos daquela tabela de calorias, nutrientes, acidulantes e sei mais o que. No Chile, não é obrigatório como no Brasil. Na hora da dieta é que nos damos conta. Brasileiros que gostam de reclamar do Brasil: em alimentação tenho a impressão que o Brasil está melhor, mais controle do que se come. Existem, claro excelentes produtos, mas as vezes encontramos - vendidos em supermercados renomados - alguns alimentos com cara de fundo de quintal que assustam.
Outras de comida: Aqui, não existe açucar refinado. O normal é o cristalçucar, aquele que tu tens que lembrar que mexer bastante na xícara para nao tomar o restinho do leite repugnantemente doce. Na hora da caipirinha também é complicado, com gelo, ele não dissolve! Así es la vida...

Grávidos, Bênoni & Claudia e Denny & André. Ainda faltam, dentro das espectativas, Bia & Henrique. :o) Parabéns aos futuros papis!!!

Fumar?
Shoppings.... gente, estou para contar faz horas: Pode-se fumar dentro dos shoppings. Em dias lotados a gente tem que briblar as mãos gesticulando com cigarros acessos (uma vez nós e Santiago inteira pareceram ter tido a mesma idéia: passear num shopping)! É uma tremenda fumaceira. Aqui, fumar é a coisa mais comum, ou seja, se tu não fumas, tu és o diferente. É... somos diferentes.

Aniversário da Lígia, uma surpresa

Uma coisa legal que aconteceu neste tempo em que estive.... cuidando de mim e trabalhando para o site do Mundial, foi o Aniversário da Lígia. Foi tão bonito que resolvi colaborar para o Jornal da Família, escrevi uma reportagem que anexo em formato web - clique aqui para ver !

Para o navegante perdido, JF ou Jornal da Família é um jornal da família do Manuel. Existe desde 1958 e está no número 552!

O e-mail abaixo, recebi de uma prima que está morando no Canadá. Nesta expectativa da viagem ao Portinho, não resisti em compartilhar:
(e um amigo gritou: êta saudade danada, heim, guria?)

COMO IDENTIFICAR UM PORTO-ALEGRENSE:

1. A partir de agosto, o Porto-alegrense para de comprar livros para aproveitar os descontos e os balaios da Feira do Livro.

2. Odeia o muro da Mauá.

3. Fala mal das praias gaúchas, mas nunca recusa convite para passar o fim de semana em Imbé, Atlântida ou Tramandaí.

4. Desfila, em qualquer rua de qualquer cidade, com cuia e garrafa térmica como se fosse coisa trinormal.

5. Ama ou odeia o PT. Não tem meio termo.

6. Acredita que a última batalha não será entre o bem e o mal ou entre a luz e as trevas, mas entre gremistas e colorados.

7. Em uma tarde consegue mostrar todos os pontos turísticos da cidade aos amigos que vêm de fora.

8. Acha que Porto Alegre tem quase todos os defeitos de uma cidade grande e mais algumas desvantagens de uma cidade pequena, mas parte para a briga com qualquer estrangeiro que ouse dizer uma barbaridade dessas sobre POA.

9. Acredita piamente que existe uma comprovação científica para o fato de o pôr-do-sol no Guaíba ser o mais bonito no planeta. Talvez pelo fato do paralelo trinta passar na Rua da República.

10. Chama o carinha ali de "bagaceiro"; come "negrinho" e "branquinho" e ainda compra "cacetinho"!!

11. Diminiu metade das palavras e nem se dá mais conta disso: Findi, Churras, Super, níver...

12. Ama Porto Alegre!

O Porto-alegrês é uma das línguas mais difíceis do Ocidente(que não é o hemisfério, e sim um bar em Porto Alegre) Para começar, só existe uma interjeição: "báh!" - que é usada em mais ou menos 462 situações diferentes. Prá complicar, "bah!" tem, também, 497 entonações diferentes: pode ir de um simples "beh!", até um complicado, "pãh!" dependendo do que tu queres dizer.
E tem também as gírias. Porto Alegre é equipada com mais ou menos 15 fábricas de gírias funcionando sem parar. Algumas chegam até a ser exportadas: "viajar na maionese" e "pirar na batatinha", que agora estão na moda no Rio, são faladas há anos, ou em Porto Alegrês, "há horas". Outras expressões cruzam a fronteira, mas nunca chegam a serem compreendidas. "Deu prá ti", por exemplo, que é o nome de uma música que fez o maior sucesso no Brasil inteiro. Talvez porque pensaram que "deu prá ti" fosse uma sacanagem quando na verdade só queria dizer "chega!".

Também tem o "trilegal", há horas ninguém fala trilegal em Porto Alegre. Se fala "tribom", "triquente", triafim", "trigente", triafu"(muito usado)..Mas nada é mais porto alegrense quanto falar: "tu vai ir?".
Repita agora, com sotaque: Báh, mas tu vai ir?
Bah, mas se tu for, eu também vou!
É, aqui é o único lugar do mundo onde a gente lava "Os pé" e lava "as mão". E deu pra ti, "viu guri"?
Nâo há nada melhor do que poder dizer: "Báh, eu sou de Porto"... com sotaque mais cantado possível... e a cara mais orgulhosa do mundo!
Porto Alegre é TRILEGAL!!!! E "sirvam nossas façanhas de modelo à toda terra!".